"Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."
Era um dia muito especial em Dakar, capital do Senegal - África. Tudo pronto! Hora de partir. O destino era a Ilha de Gorée, um lugar histórico e marcante para os africanos. Eu particularmente, estava muito ansiosa para conhecer o lugar de onde os escravos eram levados para outros países - em outro post eu falarei mais sobre essa ilha - meu dia foi marcante, afinal estar nesse lugar era uma espécie de viagem no tempo. Mas, conhecer uma jovem chamada Fatoumata me marcou mais do que qualquer outra coisa. Ela tinha 15 anos e estava vendendo artesanato, fomos então abordados por ela para que comprássemos alguma coisa e assim pudéssemos ajudá-la. Não tínhamos dinheiro, e com tristeza no coração eu disse para ela que não poderia ajudá-la, mas em meu coração algo dizia para não deixá-la ir, então pedi para que ela se sentasse um pouco ao meu lado, lhe ofereci algo para comer, e começamos a conversar, Rock, ela e eu. Ela então começou a contar sua história. Fatoumata nasceu em uma aldeia no norte do Senegal, e precisou deixar sua família pra poder trabalhar na capital e assim ter o que comer, ela não via sua mãe já tinha mais de 6 anos, pois o que ela ganhava vendendo artesanato não dava para viajar, na verdade o que sobrava pra ela dessas vendas era somente um prato de comida por dia. Ela falava bem mal o francês, pois não tinha tido ainda a oportunidade de estudar. Enquanto ia ouvindo sua história eu orava em meu coração para que Deus me ajudasse a falar e testemunhar do amor dEle, Ele teria que agir, porque ela quase não podia entender o francês e eu ainda não estava fluente no dialeto. Pedi só uma estratégia, foi quando olhei seus pés descalços, na verdade, ela usava em um dos pés, um chinelo muito velho, e no outro pé, nada. Bom, eu estava calçada com um par de havaianas "as legítimas" novinhas que tinham acabado de chegar do Brasil, e era o tamanho ideal para os pés de Fatoumata. Não tive escolha, disse a ela que lhe daria um presente do meu país, tirei meus chinelos e coloquei-os em seus pés. O sorriso que saiu de seu rosto foi mais compreensível que qualquer palavra dita. Ela estava feliz! Fatoumata disse que se sentiu amada por mim, que eu era uma mulher de bom coração, nesse momento então eu recebi do Senhor a unção de testemunhar e ela recebeu a unção de me compreender. Eu pude mostrar o amor de Deus através de um simples ato, calçar pés descalços!! Eu pude marcar uma vida com o amor que vem de Deus! Nesse dia, eu voltei para casa com os pés descalços mas com o coração preenchido!
Essa é Fatoumata!
Essa é Fatoumata!

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